Por que a Páscoa é data variável? Veja estas e outras curiosidades

A comemoração da Páscoa agrega vários elementos das culturas cristã, judaica e germânica pagã, e seus primórdios remontam muitos séculos atrás. O próprio termo Páscoa, do latim Pascae, é explicado com sinônimos em contextos diferentes, de acordo com a história de cada civilização.

Na Grécia Antiga, o termo é encontrado como Paska, e a celebração até os dias atuais é realizada no contexto da Igreja Ortodoxa, recheada de rituais e costumes. A palavra Páscoa em português deriva do termo hebraico “Pessach”, que significa passagem.

A Páscoa judaica baseia-se na libertação do povo hebreu da escravidão do Egito. Na tradição cristã, a data marca a ressurreição de Cristo. Ao longo do processo de conversão de povos germânicos, o cristianismo em geral apropriou-se de muitos costumes desses povos. Os pagãos cultuavam a deusa germânica Eostern, nome que remete a origem do termo Páscoa em inglês e em alemão – Easter e Ostern, respectivamente.

Ovos e coelhos

Símbolos muito fortes dessa celebração pelo mundo e com grande apelo comercial, ovos e coelhos também são atribuídos a origem pagã. Acredita-se que os povos antigos viam como símbolos de fertilidade. A medida em que esses povos eram cristianizados, esses elementos também foram absorvidos.

O coelho era visto como símbolo da reprodução, da renovação e da continuidade da vida, em uma época de altíssima taxa de mortalidade. Além disso, coelho é um dos primeiros animais que aparece após um inverno rigoroso.

O ovo aparece em muitas tradições antigas como um símbolo de vida, ou início dela. Civilizações não-cristãs utilizavam o ovo decorado para comemorar a passagem para a Primavera. Ovos de galinha eram pintados a mão a pelo menos três mil anos antes de Cristo.

Cristãos da Grécia e da Síria traçaram o hábito de decorar ovos, tingidos de vermelho carmim para representar o sangue de Cristo.

A tradição de enfeitar ovos e escondê-los – caça aos ovos – teria chegado ao continente americano por meio de imigrantes alemães no século XVIII. Os ovos de chocolate surgiram na França nesta mesma época.

Por quê a Páscoa não tem uma data definida?

Se historicamente a Páscoa tem vários significados, sua data também tem variações. Desde 2008, o dia da Páscoa é marcado baseado em dois fatores: o equinócio da Primavera no hemisfério Norte – Outono no hemisfério Sul, e a primeira lua cheia após o equinócio. Segundo o religioso inglês do século VII Beda, o Venerável, a Páscoa se dá no primeiro domingo após estes dois eventos.

Equinócio é o momento exato da mudança de estação, dia no qual o sol incide com maior intensidade sobre as regiões próximas à linha do Equador. O termo tem origem na junção dos termos latinos aequus (igual) e nox (noite). Quando ocorre o equinócio, o dia e a noite têm igual duração (12 horas exatamente).

O domingo de Páscoa tem sido comemorado em dias diferentes, variando a cada ano entre os dias 23 de março e 24 de abril. E esse complexo sistema de determinação da data é o resultado da combinação de calendários, práticas culturais e tradições hebraicas, romanas e egípcias.

O fato de ser um “feriado móvel” abarca mais do que questões astrofísicas. As divergências de cálculo da data, principalmente entre povos cristãos, passa por uma questão rigorosamente religiosa, definida pela sua própria origem histórica.

A partir da data da Páscoa, várias outras datas são estabelecidas: dois dias antes tem a Sexta-feira Santa; Quarenta dias antes é a Quarta-feira de Cinzas e, portanto, 43 dias antes, o Carnaval. Confira abaixo 5 curiosidades sobre a celebração da Páscoa nos dias atuais.

1 – Ovo de Páscoa é mais caro que a barra de chocolate

Apesar de ser o mesmo chocolate, ovos de Páscoa são bem mais caros por causa das condições nas quais são fabricados. O que esclarece esse aumento de preço é o investimento feito em sua produção, desde a contratação de mão-de-obra específica até as condições especiais de transporte e a estocagem de tudo o que é produzido.

Sabemos também que o preço final ainda contempla três outros fatores inerentes: o da oferta e procura, dos royaltes por uso de marcas e personagens, e ainda o fator emocional do presente, o seu apelo comercial.

Em geral, as industrias iniciam a produção dos ovos de Páscoa entre agosto e setembro. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), a mão-de-obra contratada para essa produção costuma ser temporária e, portanto, há um aumento no número de empregados do setor. Somente nesta temporada foram gerados 23 mil postos de trabalho temporários.

2 – Suíços são os que mais consomem chocolate

A Suíça, famosa por sua produção, é o país com maior índice de consumo do chocolate. Dados da Forbes indicam que o consumo anual per capita é de 8,98 kg. Alemanha, Irlanda, Reino Unido e Noruega completam a lista dos cinco maiores mercados consumidores da iguaria. Na lista dos maiores exportadores, os suíços aparecem somente na décima posição. Alemanha, Bélgica, Holanda, Estados Unidos e Itália são os que mais exportam, nessa ordem, segundo o World’s Top Exports.

3 – O cacau é tropical

Astecas mexicanos e maias da América Central foram os primeiros a cultivar o fruto, que já era cultivado também por índios antes da chegada dos colonizadores. Atualmente, o Brasil tem um papel fundamental na produção mundial de chocolate, sendo o 5º país produtor de cacau, ao lado de Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Camarões.

O fruto encontra condições favoráveis para sua expansão em clima quente e úmido e solo argilo-arenoso. Sua origem se deu na bacia hidrográfica do Amazonas, tendo sido dispersado para regiões tropicais da América Central e Norte.

4 – Data tem impacto positivo no comércio

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que a movimentação da Páscoa somente no varejo alimentício seja de R$ 2,2 bilhões, com a criação de 10,6 mil postos de trabalho temporário no mercado brasileiro.

5 – Os números dos ovos

Na década de 1990, a numeração dos ovos de páscoa fazia referência a altura dos moldes. Hoje, após a diversificação da produção das industrias, estes números perderam a utilidade. As apresentações e os pesos de um ovo com o mesmo número podem variar entre si, seja por ter mais recheio, mais casca ou vir um brinde dentro. As marcas usam a numeração como hábito e não há nenhuma exigência do Inmetro que os regule.

Uma boa páscoa para você

Entre as diferenças e os costumes, o que mais importa é celebrarmos a paz, a alegria e a união. Celebrar em família, com quem nos sentimos seguros. Celebrar entre amigos, com quem está ao seu lado sempre. Feliz Páscoa!

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